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sábado, 15 de abril de 2017

SEXO ANTES DO CASAMENTO É PECADO?

SEXO ANTES DO CASAMENTO É PECADO?

----- Original Message ----- From: SEXO ANTES DO CASAMENTO É PECADO? To: contato Sent: Saturday, August 06, 2005 2:11 PM

Subject: sexo antes do "casamento" Paz seja convosco!!! A minha pergunta é a seguinte: namoro a dois anos uma moça, pretendemos nos casar em breve; mas já estamos mantendo relações sexuais há algum tempo. O fato é que nós temos um relacionamento muito aberto. Tenho certeza que ela é a mulher da minha vida. Vivemos e convivemos como casados. Vemos nosso relacionamento não como um namoro ou noivado, mas como um casamento. Temos entre nós uma aliança real e verdadeira. Após praticarmos o ato sexual, não sentimos nenhum sentimento de culpa. Sinto que o casamento civil e religioso não mudara nada entre nós, pois a verdadeira aliança já está firmada em nossos corações. O fato de nós termos esse compromisso selado entre nós já não é o bastante perante Deus? Pecamos quando temos relações sexuais? ____________________________________________________________ Meu querido amigo: Graça e Paz! Eu creio que quando dois seres humanos livres e sinceros, se amam de verdade, eles já estão casados. Somente o amor casa; e somente a falta dele, descasa. Creio que sua consciência está pacificada, e que suas questões são fruto muito mais da opinião legal da religião do que fruto de algo que nasceu ou nasce em sua consciência. Responderei a você “ressuscitando” uma resposta “antiga” presente aqui no site. Creio que por ela você entenderá tudo, com toda simplicidade. Eis a resposta que dei há alguns poucos anos. A questão era basicamente a mesma. ____________________________________________________________ Se formos olhar na Bíblia esse “assunto”, descobriremos que ele não tem nenhuma relevância. Na Bíblia o casamento era algo simples, familiar, singelo, e não carregava regulamentações além da do pacto entre as partes. Houve uma “evolução sociológica” na instituição do casamento na Bíblia. Mas os “valores agregados” sempre foram tratados como “humanos”. Adão e Eva não estavam menos casados por não terem tido “testemunhas humanas” para a cerimônia, que naquele caso foi apenas um belo e surpreso: “Uau! Essa Sim!” Isaque e Rebeca nem esperaram o jantar. Quando Isaque a viu no campo, sendo trazida pelo servo de seu pai, correu ao encontro de ambos, tomou a Rebeca sobre sua montaria, e a levou direto para a “tenda de sua mãe” e a “possuiu”. Esse casamento que a gente tem hoje—com todos esses ritos, pompas, etc...—, é uma projeção dos plebeus acerca do casamento dos nobres. É uma festa de príncipe e princesa, com trombeta, véu, grinalda, entrada triunfal, testemunhas, pagens, corais, e a “corte” assistindo. Nos dias de Jesus o casamento era algo familiar. E o “documento” de casamento não era dado para que, então, houvesse o casamento — isso era feito pelo testemunho dos pares na presença dos familiares. Só havia “documento escrito” para a Carta de Repúdio — no caso do marido não querer mais a mulher—, ou no Divórcio —no caso de que mulher — naquele tempo ainda sempre a mulher —, ser “expulsa” da relação como adúltera. Assim, a documentação documentava apenas a separação, não a união. A união era o documento em si. Portanto, nos dias de Jesus a documentação era para a separação, não para fazer valer a união. A união tinha o testemunho da vida, do amor e dos parentes, que consentiam com o casamento, que era solenemente informal. Quanto ao sexo, tenho a dizer o seguinte: Sexo sempre é pecado e nunca é pecado. Sexo não é nada e é tudo. O que faz do sexo pecado ou algo santificado, são os seus praticantes. Desse modo, quando há amor, nunca há sexo antes do casamento. Quando há amor, o sexo é o casamento. Se há “casamento” mas não há amor, o sexo é pecado pelo fato de ser dês-significado. Assim, sexo “antes” do casamento é sexo onde dois transam sem amor. Mas sexo sem amor durante o “casamento” é pecado também, pois, é uma afronta a alma, que "faz amor sem amor", o que total dês-significação para a alma. O pecado é sexo sem amor; portanto, sem casamento. E casamento não é algo que aconteça de fora para dentro. Só acontece de dentro para fora. É como tudo mais que tem valor para Deus: procede do coração. O “casamento” é como o “batismo”— um símbolo visível de uma realidade invisível, e que o precede como símbolo a fim de que seja verdadeiro. “Batizar-se” sem que já se tenha sido antes batizado pela “fé em Cristo”, é um rito sem sentido — pura bobagem da religião! “Casar-se” sem casamento-amor é a mesma coisa. É como se batizar sem fé. Diante de Deus é tudo igual. Para os homens é que não é pecado alguém se batizar na “igreja” sem ter sido batizado no Espírito, num ato invisível e particular. O casamento, todavia, se tornou um instrumento de “poder” para os sacerdotes da religião. Basta ver as guerras medievais que aconteceram em razão de um rei querer se recasar e não poder. Sim, poucas coisas foram tão manipuladas pela religião quanto o ato do casamento, que passou a ser uma prerrogativa clerical. Desse modo, o que antes era leigo, passou a ser “sacerdotal”; e o que antes era coisa de duas pessoas e suas famílias, veio a se tornar algo que só se torna verdadeiro se um “ministro oficialmente ordenado” realizar a cerimônia dos plebeus desejosos de terem um dia de príncipe e princesa. Nada contra..., desde que se assuma que é uma representação apenas; posto que aquele ato só deve acontecer se o amor já tiver unido as partes. Eu creio sempre naquilo que é. E acho que o valor do que se faz como simbolização exterior, sempre tem que ser precedido por uma verdade interior. Assim, sexo não é nada, e é tudo. Depende de quem o faz, de como o faz e de com que atitude o faz. Sem amor nada disso me aproveitará. Inclusive transar! A impureza à qual a Bíblia se refere não é apenas a promiscuidade sexual. Pode ser também o “uso” sexual sem amor, ou por interesse, mesmo entre “casais-casados”, e que praticam sexo sem amor. Nesse caso, o homem “comparece com a patroa” e a mulher dá ao homem “o que lhe é de direito”. Em razão disso é que há muita “prostituição legal” dentro de “casamentos”. Mulheres que não amam, que sentem até nojo de seus “maridos”, mas que “dão” pra eles por causa da grana, da estabilidade, do dever, etc... E maridos que “comparecem” ou apenas “usam” a mulher, apenas para ter onde “aliviar” a pressão. E o “preço” é a estabilidade que um dá ao outro. Sem falar que em muitos casos ambos tem seus “casos paralelos”. É por isso que muitas meretrizes nos precedem no Reino de Deus. Elas, pelo menos, não chamam de “casamento” o negócio da esquina, e vão logo dizendo quanto custa e que tempo vai durar. O Novo Testamento fala muito em dissolução. Ora, a dissolução sexual não faz mal a Deus. Deus não cresce e nem diminui com nada do que eu faço ou deixo de fazer com minha vida, muito menos com meus órgãos genitais. A dissolução é pecado apenas porque faz mal ao homem. Dilui o ser. Tira a essência, a solução interior. Daí ser dis-solução. E esse mal acomete a quem o pratica. Deus, todavia, não fica menor por minha causa. E que mal é esse que a dissolução produz? Ora, ela deixa o ser diluído, pastoso, impossibilitado de experimentar qualquer forma de amor denso. Daí o dissoluto não conseguir amar e nem tampouco ser fiel a ninguém. Sem falar que a proliferação de experiências sexuais não deixa ninguém experiente para a vida, para o vínculo, para o relacionamento. Apenas deixa o individuo com “mil memórias” para comparar; e, assim, aumenta sua insatisfação com um único parceiro, visto que ele está sempre sendo remetido para as fantasias de outros tempos. Sei que pra uns sou avançado demais. Pra outros sou careta demais. E eu, o que penso? Bem, eu não estou nem aí! Sei que o que digo é verdade, conforme o Espírito da Palavra e de acordo com o que Jesus ensinou como sendo verdadeiro diante de Deus. Nele, Caio ________________________________________________ -----Original Message----- From: Sexo antes do casamento, pode ou não? Sent: quarta-feira, 8 de outubro de 2003 20:16 To: contato@caiofabio.com Subject: Contato do Site Mensagem: Oi, pastor! Li a mensagem em que o sr fala a respeito de sexo antes do casamento, e confesso, era quase tudo o que eu já desconfiava... se amo o meu noivo e não consigo ficar longe por que dói demais... se não temos condições de nos casarmos agora... se não somos infiéis e procuramos ter vidas saudáveis e próximas de Deus... acabamos com um espinho na carne, um martírio que parece não ter fim... já pensamos em nos casar mesmo sem possibilidades, em viver de forma desconfortável demais só para não estar mais em pecado, mas pensei que se a graça me basta, de nada vai resolver criar problemas que podem ser maiores que o atual... se o Senhor pode me perdoar, mas às vezes entristece saber que estou pedindo perdão de um pecado que não passa, como os pecados daqueles que têm uma vida nova em Cristo. Em minha vida muita coisa melhorou depois da conversão, mas a relação com o sexo só trás martírio porque é uma necessidade que não passa e nem quero que passe, pois quero um casamento feliz, ativo. Mas e até lá, como vou viver, sempre sofrendo? Há tempos procuro luz sobre o assunto; algo que prove ou não que realmente preciso sofrer a dor do pecado constante ou a dor terrível da abstinência (desisti de tentar resistir, peço que Deus me dê forças, mas às vezes as coisas apertam e não consigo nem clamar por socorro, e aí, acontece de novo...) Mas na Bíblia não encontrei referências, nos livros, não encontrei algo que me convencesse... sua explanação foi a melhor, mas confesso que fiquei com uma confusão renovada... E afinal de contas, o sexo é tudo ou é nada? Eu preciso do casamento secular para ter liberdade com o homem que amo? Tenho tantas dúvidas que nem consigo formular, mas no resumo, só quero ter paz e liberdade com Deus, quero adorá-lo todos os dias, sem vergonha dos impulsos do meu corpo e da minha mente, sabendo que de fato nada vai me separar do amor de Deus. Sei que seu tempo é curto e minha ânsia é real, se puder me responder daí do alto de sua sabedoria, ficarei muito grata! Que Deus te abençoe sempre! ___________________________________________ Resposta: O sexo é tudo, quando há amor. E nada sem amor. O resto, quando duas pessoas se amam, e vão se casar, é questão de consciência e liberdade madura e responsável. Cada um tem a sua própria consciência. Eu não vou dizer: “Vão lá e transem.” Afinal, tudo o que não provém de fé é pecado. Não pela coisa em si, mas pela prática sem o endosso da consciência, que é a paz da fé, e que vem da autenticação do amor de ambos. Eu não teria problemas se estivesse em sua situação. Mas eu só falo de mim. Tem gente que faz distinção entre dia e dia, entre comida e comida. Pra mim todos os dias são iguais, e pela ação de Graça todos os alimentos são santificados. Desculpe, é só o que posso lhe dizer. O que passar disso, depois da resposta tão clara que eu dei, é não querer assumir a responsabilidade mínima de decidir. Aí seria um triangulo pouco sadio entre vocês e eu. Mas saiba: Pecado é o que Deus imputa. Assim, “bem-aventurado aquele a quem o Senhor não atribui iniqüidades e nem imputa pecados”. E sem fé nada agrada a Deus. E a fé tem que ser sua, não a minha. Alguém já me viu fazendo perguntas de dúvidas pessoais sobre este tema ou qualquer outro? Eu creio, e vivo com as conseqüências, e nunca peço a cumplicidade de ninguém. Gente grande assume o que faz. E só faz se for na fé que atua pelo amor e com amor; em qualquer que seja a natureza da relação. Nele, Caio _________________________________________________ Continuação: Isto foi o que eu disse a alguém muito “grilado”, respeitando a consciência da pessoa. No caso de vocês, o que tenho a dizer é apenas um “sejam felizes, e que Deus os abençoe!” Nele, em Quem tudo o que é, se faz real antes no coração, Caio ___________________________________________________________ Deixo com você mais uma carta que julgo pode ser útil a você. __________________________________________________________ ----- Original Message ----- From: SEXO, TABU E NEUROSE To: contato@caiofabio.com Sent: Thursday, May 12, 2005 8:16 AM Subject: 3 perguntas sobre sexualidade! Pastor Caio.... Muitas vezes eu fico bastante dividido entre os pontos discutidos na questão da sexualidade pelos diversos pastores... E a razão para isso?... Não tenho opinião formada...e tenho dúvidas... Vamos lá: Pergunta 1: O que fazer para me libertar dos Tabus com relação a sexualidade? Até aonde eu posso ir? (Jovem na faixa dos 20 a 25 anos) Pergunta 2: Vale a pena pecar para ter uma mente sadia, ou resistir duramente, independente das conseqüências psicológicas, para agradar a Deus? Deus não capacita? Pergunta 3: Quais são os sintomas de um comportamento neurótico quando a questão sexual? O que fazer neste caso? E como preveni-lo? Espero ter sido mais claro, sem enrolação e não repetitivo... Em Cristo ____________________________________________________________ Resposta: Meu querido amigo: Graça e Paz sobre sua alma! Responderei suas perguntas em ordem. Pergunta 1: O que fazer para me libertar dos Tabus com relação a sexualidade? Até aonde eu posso ir? (Jovem na faixa dos 20 a 25 anos) Resposta: Uma coisa é se libertar dos tabus em relação à sexualidade; outra, completamente diferente, é pensar que uma vida sem tabus implica em falta de limite e em libertinagem. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Tabu é o que as sociedades criam a fim de impedir que certas coisas aconteçam em coletividade; e, nesse caso, a produção cultural e coletiva, cria “conseqüências de natureza mágica e moral” (psicológica), a fim de que a transgressão ao valor instituído, seja punida; e a fim de que o valor seja mantido pela via do medo a algo que tem o poder divino-satânico de punir horrivelmente os implicados; ou ainda: uma vez que algum membro do grupo seja apanhado, então, em nome do Tabu, ele será imolado, ou exilado, ou banido, disciplinado, ou feito anátema no meio de todos aqueles com quem convive ou convivia. Ora, usar tabus para impedir a sexualidade, é, em si, neurose. Todo aquilo que não acontece em razão de impedimentos vinculados ao medo, vira neurose. Ora, você pergunta: até onde eu posso ir? Minha resposta é simples: “A fé que tu tens, tem-na para ti mesmo...”... “pois tudo o que não provém de fé é pecado...” ... “bem-aventurado é todo aquele que não se condena naquilo que aprova”. Ou seja: quem quer que lhe diga faça ou não faça, está pecando contra a sua consciência. Você é quem tem que decidir; e fazer isso com bom senso, com consciência tranqüila e pacificada, seja qualquer for direção. Tudo aquilo que não é fruto de amor e de consciência tranqüila, não vale a pena ser feito. No entanto, vale aprender a diferença entre culpa real por algo que não se deve fazer; e culpa neurótica, que é filha do medo e dos tabus, a qual, não existe como persuasão da Palavra e do Espírito, mas sim como fobias e medos produzidos pelos ídolos-tabus da religião e de sua moral de tribos antigas: onde sexo ainda é tema para apedrejamento; mesmo que seja moral, psicológico ou social. Pergunta 2: Vale a pena pecar para ter uma mente sadia, ou resistir duramente, independente das conseqüências psicológicas, para agradar a Deus? Deus não capacita? Resposta: Nunca vale a pena deliberar pecar. E sexualidade e pecado nada tem a ver um com o outro. A religião dos tabus é que inventou tal conexão. Obedecer a Deus em qualquer área da vida não adoece a alma. Portanto, se as leis da religião estão adoecendo almas, é porque elas nada têm a ver com o espírito do Evangelho. O Evangelho é Boa Nova para a sexualidade também, para a totalidade do ser; e, sobretudo, é o patrocinador de Vida em Abundancia. O que vejo é que você é um menino entre 20 e 25—suponhamos, com 24 anos—, e que está louco para namorar, amar e conhecer alguém sexualmente, mas que se sente culpado caso isso aconteça antes do casamento formal. Por outro lado, você também se neurotiza porque não se segura, e “sai na mão”. O lugar psicológico onde você está é ruim, e danoso à alma. Minha sugestão é que você leia mais o site, nas minhas opiniões sobre sexo antes do casamento, e, também sobre sexualidade em geral. Creio que por elas você mesmo poderá encontrar o “seu caminho” pessoal nessa área. Sempre creio em equilíbrio. Para mim tudo o que tira o equilíbrio é maligno, ainda que venha travestido com os tabus da moral cristã. Mas fique sabendo: sexo sem amor faz mal; assim como ser adulto e responsável, amar alguém, desejar e ser desejado, e poder se relacionar com a pessoa visando algo maior pros dois, mas, em razão de tabus, não realizar a entrega e o encontro, apenas por medo, culpa oriundos do tabu—ora, isso igualmente faz mal, e cria toda sorte de doenças da sensualidade na alma; conforme Paulo em Colossenses 2: “... não proves... não toques... não... não... tem aparência de sabedoria; mas é falsa humildade; e não tem nenhum valor contra a sensualidade”. A vida, porém, por vezes é ambígua. Assim é que para o Pródigo foi salvo de seu pecado pela experiência do pecado, o que o levou de volta aos braços do Pai. Já o Irmão mais Velho nunca “pecou” os pecados convencionais, no entanto, estava em estado permanente de pecado em razão de sua inveja do “pecado do irmão”, e de sua raiva neurótica em relação a isso, a qual, no caso dele, se disfarçava de moralidade e boa gestão dos bens do Pai. Assim, às vezes, a fim de sermos curados, temos que ser quebrados(o pródigo); e, antes de sermos curados, temos que ser chocados (o irmão mais velho)—Lucas 15. Pergunta 3: Quais são os sintomas de um comportamento neurótico quando a questão sexual? O que fazer neste caso? E como preveni-lo? Resposta: Eu disse antes que usar tabus para impedir a sexualidade, é, em si, neurose. Todo aquilo que não acontece em razão de impedimentos vinculados ao medo, vira neurose. Portanto, você não tem que fazer e nem fazer nada por medo, mas apenas em razão de acordos de sua consciência com a verdade do amor, seguida de bom senso. No amor não existe neurose porque nele não existe fobia, medo. Pessoas adultas de alma e que se amam responsavelmente, nunca se sentem em pecado quando estão livres para fazer amor; sem deixar para trás uma transgressão, uma traição, um adultério, etc... Assim, é no amor que está a saúde para tudo; e, fora dele, tudo acaba por virar doença, dependência, vício, ou neurose. Receba meu carinho e reverencia pela sua alma. Nele, em Quem até o louco não erra o caminho, Caio

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quarta-feira, 22 de março de 2017

Línguas Estranhas

Se você possui o dom de línguas, você pode até não saber o que ora, pois quem fala em línguas fala em mistério com Deus, mas você não pode ignorar a linguagem da língua, que é sempre um espírito de intercessão e de comunhão. Dom de línguas não é um mantra que você usa para se tornar ungido imaginando que, quanto mais tagarela for, mas receberá poder do alto. Tolice. Muito menos ele é algo para lhe destacar dos demais, pois Paulo recomenda que esse dom seja exercitado em secreto e, no caso do uso público, só seja utilizado se houver interpretação. Eu falo em línguas e elas são ininteligíveis,  por isso prefiro falar com você usando a linguagem do amor e do perdão, do que a língua dos anjos... CM

quarta-feira, 1 de março de 2017

Medo de Carranca?


- Pastor, você viu os carros alegóricos com entidades do candomblé e com demônios no desfile das escolas de samba do Rio?
- Oi mano. Vi um resumo no noticiário...
- Não acha prejudicial?
- São manifestações culturais e religiosas do nosso povo, não tem nada de novo ali...
- Mas é uma apologia a satanás!
- Olha, os programas de TV dos teleevangelistas fazem apologia ao diabo todo dia, e não vejo ninguém se levantar e se manifestar contra. A entidade que está no carro alegórico já fala por si mesma, e quem quiser que a siga e adore, mas ela está ali como de fato é, e não travestida de piedade e santidade, de falso moralismo e impecabilidade, coisa que essa gente perversa faz em nome de Deus.
- Como assim? Não entendi nada...
- Ora, eu prefiro o diabo que vem com chifre e fogo do que o que se esconde atrás da religião cristã, que se veste com paletó e bíblia na mão e faz negociatas por detrás das cortinas, que distorce o Evangelho atribuindo-lhe práticas que são tão pagãs quanto à dos orixás, que rouba com promessas de prosperidade viúvas e órfãos, pobres e desvalidados, todos fracos de mente, coagidos a dar dízimos para engordar a conta de bispos, apóstolos e outras entidades do mundo evangélico.
- As figuras são horrendas, só olhar dá medo! Você sente que é coisa do mal!
- Ora, esse é o diabo dos crentes, o diabo ocidentalizado, construído no inconsciente coletivo pelas imagens medievais da inquisição católica e pela peça de Dante Alighieri – ainda no século XII, foi feito para assustar criancinhas, não tem nada do inimigo do qual Jesus fala, que se traveste de anjo de luz, com uma sofisticação requintada, que não bebe sangue, nem se corta, nem rodopia, nem fala com voz rouca, nem treme, mas desperta o pior que há no homem, que é o seu desejo egoísta, a sua falta de solidariedade, a sua vaidade e a sua arrogância. Judas ficou possesso quando traiu Jesus, mas não apresentava nenhum dos trejeitos caricatos dos demônios da Universal. O diabo está em outra, ele senta no banco da igreja e assiste aos cultos dando risadas das mensagens dos pregadores deste tempo. Enquanto isso, os crentes estão fazendo batalha espiritual contra os demônios dos carros alegóricos...
- Não sei o que pensar...
- Pois eu lhe digo, com toda a honestidade, as manifestações do carnaval feitas pelas escolas de samba são imensamente menos prejudicial do que as declarações públicas e rotineiras de gente que se diz de Deus, mas está, sim, a serviço de satanás. Eu prefiro ver um carro alegórico com a cabeça de um capeta de filme do Spilberg a um trio elétrico, na “Marcha para Jesus”, com a carranca de um Malafaia, abraçado com meia dúzia de politiqueiros da bancada evangélica, rindo e impondo as mãos sobre a multidão, enquanto na sua vida ele propaga intolerância contra gays, truculência contra outras religiões e violência contra a verdadeira fé em Jesus... CM

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

QUANDO DEUS VIRÁ O DIABO


- Pastor Carlos, viu o que aconteceu no carnaval? É a mão de Deus contra essa safadeza!! De Deus não se zomba!! E o sr. fazendo apologia a festa, dizendo que não tem nada de mais!! Taí agora! Dezenas de pessoas feridas!!
- Oi mana. Acidentes acontecem todos os dias, nos mais diversos lugares, Deus tem a ver com todos eles?
- Foi a mão dele que foi liberada para mostrar o seu poder! Ele não se deixa escarnecer!
- Que deus malvado, esse seu, se vinga fazendo o mal a quem não lhe segue. A esse, não quero servir, deixo para você, pois o Deus que se revela em Jesus poupou os samaritanos quando Tiago e João quiseram incinerá-los  por não os ter recebido.
- Essa festa é do demônio e quem gosta dela é filho de satanás!
- Ao invés de orar pelas pessoas machucadas, o que seria normal num discípulo de Jesus, você parece ter gostado do que aconteceu. Não acha estranha essa sua fé?
- Não. Pois foi Deus quem enviou esse castigo para parar a safadeza!!
- Então por que esse mesmo deus que você crê não promove uma matança no Congresso Nacional, derrubando, por exemplo, uma daquelas torres, fazendo cessar esse câncer de corrupção que se alastra na nação e vitima milhões de brasileiros inocentes?
- O dia deles vai chegar...
- O seu deus é bem seletivo, não é? Ele não tem critérios, mata quem bem entende quando lhe dá na telha! Não estaria ele de porre? Só uma divindade louca agiria assim...
- Sua blasfêmia também terá o seu castigo...
- Não temo o mal pois sou filho do bem. Deus é o meu refúgio e fortaleza, que mal pode me fazer o homem? A sua Graça é maior do que a vida, não temo o infortúnio, pois ele está comigo, a sua vara e seu cajado me consolam...
- Quero ver agora dizer para o povo ir brincar o carnaval normalmente!!
- Jesus fala de um episódio, no Evangelho de Lucas, onde alguns habitantes da galileia foram mortos e tiveram seu sangue misturado com os sacrifícios pagãos de Pilatos. Eles estavam no monte, adorando a Deus, e essa tragédia sucedeu. Como explica?
- Estavam em pecado!! Não eram de Deus!!
- Mana, qual é a sua igreja?
- Renascer em Cristo.
- Sei... Daquele apóstolo que foi preso nos EUA com dólares escondidos? Daquela bispa que lançou um perfume com o cheiro de Jesus? A igreja que perdeu, nos últimos anos, 70% dos templos, quem tem questões trabalhistas se amontoando, ações indenizatórias por falta de pagamento de aluguéis e que está sendo acusada pela justiça de formação de quadrilha e estelionato?
- Tudo isso são suposições, é ataque de satanás contra os ungidos do Senhor!
- Sei... E o que aconteceu no dia 18 de janeiro de 2009 também é suposição?
- Nem sei o que houve neste dia...
- Mas eu sei. Foi só pesquisar aqui... Neste dia, o teto do templo onde era a sede mundial da Igreja Renascer em Cristo desabou, matando 9 pessoas e ferindo outras 107. Foi Deus também que fez isso? Quem sabe para vingar a safadeza dos Hernandes? Quem saber para punir o negócio que eles criaram em nome do Senhor? Quem sabe para mostrar a gente como você, cega e louca, que o que ali se fazia era em nome de Mamon, não de Jesus!
- Eu não era convertida nessa época...
- Mas eu era, e lamentei profundamente a fatalidade, pois não creio nesse deus que você crê, que faz contabilidade com a humanidade perdida. O único acerto de contas que Deus fez com o homem pecador foi na Cruz, e ele mesmo pagou a conta!
- Boa noite sr. Carlos Moreira
- Boa noite, mana! E vamos orar pelos feridos do carnaval e para que nada de mal aconteça nos dois dias que ainda faltam... CM

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Posso beijar no Carnaval?

- Pastor, no carnaval, beijar na boca é pecado?
- Oi mana. Bem... Pode melhorar a sua pergunta...
- Eu não transo, nem nada, mas dou muitos beijos no carnaval. Tem problema?
- Ah... Entendi... Penso que sim, tem problema.
- Mas um beijinho de nada?
- Bem, uma coisa é você dar 50 beijos em uma pessoa. Outra é você dar um beijo em 50 pessoas diferentes...
- Mas não tem malícia!
- Então por que você está incomodada?
- Por causa da religião.
- Bem, vamos tirar a religião do cenário... Promiscuidade é a característica de quem é promíscuo. O promíscuo é alguém que mistura as coisas, no caso sexual, faz uma simbiose com o(s) outro(s), promove encontros fugaz, irresponsáveis, abre a alma para a “possessão” das legiões de indivíduos que estão disponíveis para tal, e isso vai diluindo a substância interior da pessoa, a alma se torna uma sopa, perde a sua essência...
- Só com beijo?
- Ora, sua moralidade cristã foi construída de tal forma a imaginar que apenas no uso da genitália é que pode estar o “pecado”. Se a “perseguida” está guardada – kkkk – então, tudo bem! Mas sexo não se faz apenas com os membros genitais, mas com todo o corpo, inclusive, com a boca! Sexo começa na mente, não na cama, começa no desejo e no impulso subjetivo, não na penetração...
- Agora fiquei com medo...
- Bem, o que foi, já foi, com arrependimento sincero, está perdoado... Agora é torcer para não pegar nenhuma doença bucal, pois com tantas bocas entrando e saindo da sua boca, sabe-se lá o que pode decorrer...
- Hoje não vou beijar ninguém!!!
- É um bom começo. Mas, se beijar, fique com ele, que seja para beijar e permanecer beijando. E mais... Se você se agarrar com 50 caras diferentes e, naquele “estica e puxa”, rolar uns amassos, a situação é a mesma, compreendeu?
- Assim é melhor não brincar carnaval, se não posso pegar ninguém...
- Bem, talvez se você se fantasiar de freira, ajude em alguma coisa... Ou não, o que mais tem nessa época é tara maluca... CM

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Caio Fábio vs Paulo Coelho

Leia e compartilhe!

DEBATE - CAIO FÁBIO X PAULO COELHO - 1997

Esse foi um Debate promovido pelo Jornal “O Dia”. E também foi capa da revista “Vinde” em maio de 1997.

Estavam presentes várias pessoas assistindo ao debate, mas quem fez a mediação, para que esse encontro acontecesse, foi o meu amigo Jornalista Otávio Guedes, hoje chefe de redação do Jornal Extra.

Caio

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·        MISTICISMO

PAULO COELHO – Tudo é fé. Na verdade, o que é capaz de remover montanhas transformar o ser humano é a fé. A fé é um passo que você dá sem saber o resultado. Mas com a certeza de que alguém está segurando sua mão. Já o misticismo seria um subproduto da fé, que levaria ao fanatismo e à superstição.

CAIO FABIO – O misticismo é uma fé envolta por credulidade e a fé é uma percepção do mundo invisível que o trata com cristalinidade. A fé se projeta para o centro de poder do universo, que é o Criador. E o misticismo se concentra nos elementos intermediários, ao invés de se concentrar naquele que irradia toda vida e todo poder. Se concentra nos aparatos, nos instrumentos, nas pedras de toque, nos mediadores visíveis. O grande desafio que a gente vê na Bíblia é exatamente este: não colocar nesses instrumentos, nesses mediadores menores, a fé que a gente deve depositar no Criador acima de tudo e acima de qualquer coisa.

·       IDOLATRIA

CAIO FÁBIO – A idolatria é uma fé reduzida, confinada, a serviço do objeto tocável, palpável, e que se esqueceu que a causa de todas as coisas é invisível, que é o Criador.

PAULO COELHO – Aí começam as diferenças entre mim e o pastor. Eu sou católico. Saindo do catolicismo e indo para a origem ao cristianismo, para um momento anterior ao cisma, a Igreja Ortodoxa sempre nos colocava a iconografia, o ícone era a manifestação de vida, da presença e da beleza de Deus. Ou seja, o sujeito ia para ali, pintava aquela imagem, e ao pintar aquela imagem não era simplesmente o ato de passar um pincel. Ele procurava manifestar a beleza que estava vendo e condensa-la no sentido de mostrar como ele a percebia. Por outro lado, como nós somos seres humanos que não atingimos a perfeição, nós precisamos de um elemento catalisador. Eu, por exemplo, me ajoelho diante de São José, que é meu santo padroeiro. Ao contemplar a visão que alguém teve de São José, eu consigo usar aquela imagem para me catapultar para uma energia maior.

CAIO FÁBIO – A questão passa por duas variáveis. A primeira é o que, existencialmente, você possa sentir num dado momento, fitando um objeto que para você tem um poder inspirador. O outro é aquele que é o caminho aberto pela revelação de Deus nas Escrituras, que é um caminho de construção com o invisível, exclusivamente pela fé. Aí, a gente tem o grande clamor de Deus a Moisés no deserto: “Ouve, ó Israel, o Senhor teu Deus é o único Deus e não esqueças de que no dia em que o Senhor falou contigo no deserto não viste nem imagem, nem contorno, nem coisa alguma, porque Deus é Espírito”.

PAULO COELHO – Mas Deus mandou Moisés construir uma serpente.

CAIO FÁBIO – Eu vou chegar lá. Então há esse objeto de adoração universal, invisível. E aí vem Jesus e repete isto, falando a uma mulher de Samaria que quer adorar, mas não sabe onde, se no monte Gerizim ou em Jerusalém. Jesus diz: “Mulher, vem a hora, e já chegou, que nem aqui neste monte, nem em Jerusalém, adorareis ao Pai. Porque Deus é Espírito e importa que seus adoradores o adorem em Espírito e em verdade”. Então quando a gente está falando de uma relação adulta, madura, a gente está falando de um relacionamento que vê o invisível pela fé, que encontra satisfação na relação com o intangível e que assume a intangibilidade de Deus como a única forma possível de se relacionar com Deus. Com relação a Moisés e aquela cobra do deserto, a gente está no ponto em que eu quero chegar. Quando Moisés mandou construí-la, quem olhasse aquela serpente de bronze seria curado das mordeduras das víboras que tinham entrado no acampamento de Israel, como uma maldição pela desobediência deles. Alguns anos depois, você vai recordar, Deus mandou destruir aquela serpente de bronze porque ela virou fetiche. Aquele era um elemento absolutamente circunstancial, apenas materializador de uma mensagem. E a mensagem era basicamente a seguinte: a maldição de vocês está sendo absorvida por um igual. Serpentes matavam, e aquela serpente de bronze que foi criada por Moisés era a materialização do fato de que esta maldição que mata hoje está sendo absorvida por esta serpente aqui, mas esta serpente não tem nenhum valor intrínseco, é só bronze. Aí o povo de Israel ficou tão apaixonado pela serpente que passou a cultuá-la. Então Deus mandou destruir a serpente.
PAULO COELHO – Exatamente. Aí reside o perigo. O perigo de você pegar um meio como se fosse um fim. Para mim, Deus é visível, e não invisível. Quando você olha uma flor, ou olha o mar, isso é uma manifestação visível. Ele está em cada coisa. Em coisas que o homem criou ou que Ele criou. Então, quando você chega a este ponto, você olha o mar e de repente entende que ali está Deus – aí, o mar desaparece e você vê Deus.

CAIO FÁBIO – Quando a Bíblia fala da natureza, ela está falando dos atributos. Deus está presente em todas as coisas, mas todas as coisas não são Deus. Quando você parte para a idéia de que todas as coisas são Deus e não parte para esta contrapartida, a gente confina o Criador nesta prisão cósmica.

PAULO COELHO – Eu fiz uma música assim com Raul Seixas: “Saiba que eu estou em você, mas você não está em mim”. Era uma música chamada Gita, e era baseada na idéia de Deus.

·       RELIGIÃO

CAIO FÁBIO – Pessoalmente, acho que a religião exerce um papel de aio, como diz o apóstolo Paulo. Aio era aquele escravo romano que pegava crianças na creche, levava pra casa, pegava de casa e levava pra creche. Em outras palavras, a religião é uma medicina para algo humano, mas está absolutamente longe de ser o ideal divino do desenvolvimento da espiritualidade de qualquer pessoa.

PAULO COELHO – Concordo. Caio tem uma religião, ele é pastor e eu sou católico, mas acho que nós dois vemos com suficiente clareza que a religião é um caminho. Eu não encontrei Deus pela religião. Encontrei Deus porque o perdi. Você só pode encontrar uma coisa que você perde ou que nunca teve. Partindo do princípio de que a gente sempre tem Deus desde o nascimento, você só o reencontra se ousar perdê-lo. Jesus escolheu Pedro porque ele foi o único que ousou perdê-lo, foi colocado na mesma bandeja com Judas. Ou seja, um traiu e outro negou, um aceitou o perdão de Deus e outro não aceitou, negou tudo o que Jesus tinha falado e se enforcou. Acho importante esse processo de negação, acredito muito na rebelião, espiritual e interior. Uma fé submissa é, para mim, fundamentalista, que qualquer coisa pode abalar. Eu sempre fui muito curioso e meio ousado. Claro que eu podia ter me estrepado. Cada passo que se dá é um risco. Até a luz é um risco, porque se você ficar olhando muito o sol, você fica cego.

CAIO FÁBIO – Mas é bom lembrar que Lúcifer é sede de luz.

PAULO COELHO – É preciso experimentar todos os vinhos para saber qual é o melhor para você. Não se pode sempre dizer não, mesmo que você apanhe. Eu sou um cara que continua, enfim, procurando. Hoje em dia eu aceito muito mais do que eu aceitava antes, mas continuo prestando atenção em tudo, agora, procurando guiar meu coração.

CAIO FÁBIO – Eu diria o seguinte: a religião nunca me seduziu, nunca me fascinou. Ao contrário, eu entendi há 23 anos que a religião era apenas um meio sofrível que poderia me oferecer um espaço de convívio com a fé, um convívio mais próximo, mais identificável com gente que estava na mesma caminhada confessada que eu estava. Mas os conflitos que eu tive – e tenho – com a religião são grandes. A grande fascinação exercida na minha vida foi a pessoa de Jesus e a percepção de que Ele não cabia em projeto religioso nenhum. Os cristãos que têm fé em Jesus podem ser de Jesus, mas Jesus não é dos cristãos. Ele é maior do que o cristianismo, maior do que todas essas construções religiosas que estão aí. Eu percebi e devo isso a duas coisas: em primeiro lugar, a uma revelação do Espírito Santo, através da Palavra de Deus; além disso, a uma bagagem histórica. Foi muito útil ter sido hippie, foi muito útil todo aquele processo de questionar instituições.

PAULO COELHO – Você foi hippie? Eu também fui hippie, e hippie mesmo (risos).

CAIO FÁBIO – Juntar a rebelião hippie com a revelação do Espírito Santo cria no coração um desejo enorme de conhecer a Deus, de amar a revelação visível de Deus nesse mundo, que é Jesus, e a consciência constante de manter uma relação de permanente tensão com a religião. Ou seja, é uma relação de love and hate, eu te amo e eu te odeio (risos). E fica o tempo todo, porque no dia em que você apenas odiar, corre o risco de perder a comunhão com milhões de pessoas que estão conscientemente andando na direção que você diz estar andando. E no dia que você amar radicalmente e totalmente, você corre o risco de ser domesticado por uma espiritualidade pequena que rouba de você a percepção de sua irmandade fraterna – extremamente maior do que a religião.

·       LIVRE ARBÍTRIO

PAULO COELHO – Eu acredito que o livre arbítrio é uma área muito pantanosa para se discutir, mas acho que ele usa essas pessoas que, teoricamente, exercem o livre arbítrio para negar a Deus ou para mostrá-lo, você me entende?

CAIO FÁBIO – Claro. No fim de tudo, todas as coisas vão cooperar para o bem dos que amam a Deus e para a glória de Deus.

PAULO COELHO – Eu posso abstrair. Deus, no jardim do Éden, pôs a serpente para usar como símbolo para colocar o universo em movimento, para que as coisas pudessem fazer esse percurso e voltar ao ponto de partida, que é o bem de quem ama a Deus e a grandeza de Deus. Se não houvesse todo esse círculo seria um horror, nós não estaríamos aqui, não estaríamos combatendo o bom combate, fazendo parte dessa missão. Agora, além de tudo, eu respeito o mistério. A primeira pergunta foi sobre a fé, e a fé é você dar um passo no escuro, só que com coragem, sabendo que alguém pega tua mão e te conduz. Eu só consigo ir até aí, só consigo ver até aí e não tem como ir além disso.

CAIO FÁBIO – A tentativa de ir para além disso é uma tentativa demoníaca, luciferiana, é querer concorrer com o Criador. Agora, em relação ao livre arbítrio, Deus não deu tudo programado, por uma razão muito simples: da coisa programa não ia brotar amor. E Deus é amor. O amor de Deus, ou qualquer outra forma de amor, só existe se puder haver uma porta aberta para qualquer outra coisa que não seja amor, que seja a opção, como virar as costas por não querer falar. Então, o fato de que Deus é amor não dá a Ele qualquer outra chance de criar seres inteligentes que não possam dizer: “eu não quero te amar”. Essas são algumas das limitações intrínsecas que existem no universo. Um ser relativamente livre, que sabe que existe, mas que não tem nenhuma outra chance de ser qualquer outra coisa, então é uma máquina de confessar amor por Deus. Aí teríamos uma contradição. Deus corre o risco e não ser amado, mas Ele prefere reste risco do que a certeza de um amor que não tem chance de ser qualquer outra coisa.

PAULO COELHO – Eu acho que Ele não corre o risco. Acho que Ele sabe a fim da história.

CAIO FÁBIO – Claro. É por isso que Ele é Deus (risos).

·       ATEÍSMO

CAIO FÁBIO – Eu nunca encontrei um ateu de fato. Eu encontro pessoas com incapacidade de aceitar certas idéias de Deus. São muito mais reações de natureza psicológica a determinadas formas nas quais o sagrado é embalado do que propriamente uma rejeição de Deus. Há pessoas que foram tão esmagadas, tão traumatizadas pela tirania institucional do sagrado ou da religião que nunca conseguiram perceber Deus para além daquelas fronteiras e que dão uma resposta raivosa a essa opressão. Há a visão analítica da presença histórica da religião na civilização humana, que foi o que fez Marx e outros olharem para o fenômeno religioso e negarem este fenômeno. Eles trouxeram para dentro dessa idéia a negação de Deus porque, na cabeça deles, a idéia de Deus estava profundamente arraigada naquele processo de dominação histórica que eles estavam abominando com razão de ser. Porque até Deus abominava aquilo. Mas, fora disso, eu nunca encontrei ninguém cujo ateísmo não pudesse ser explicado.

PAULO COELHO – Cada vez que uma pessoa diz “eu não acredito em Deus”, na verdade, a frase não acaba aí. É quase um pedido de ajuda. É como se dissesse: “por favor, me responda”, entende? Se você não polemiza, não é isso que interessa à pessoa. Ela quer que você polemize, quer que você fale. Dizer que não acredite em Deus é como um pedido de ajuda. Se não, ela não teria nem necessidade de dizer isso. Fizeram uma pesquisa agora, e deu 1% de ateus.

·       FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

CAIO FÁBIO – Qualquer fundamentalismo é igual, seja religioso, científico ou político. E todos eles trabalham em cima dos mesmos propósitos. A pessoa acredita na possibilidade da sintetização de toda a verdade. O fundamentalista é o indivíduo que acredita que cabe na cabeça dele, na liturgia dele, tudo aquilo que a gente possa chamar de verdadeiro.

PAULO COELHO – O risco do fundamentalismo é grande, porque a gente acaba partindo para a idéia de que “o meu Deus é melhor do que o seu”. Assim como a fé, a busca espiritual se transformou na questão central da existência humana, e o será nos próximos 100, 200 anos. E como as pessoas acham que não sabem ter fé, se sentem indignas, elas tendem se segurar numa idéia fechada de Deus. Isso então vai provocar, daqui a um tempo – se a gente não cortar o mal pela raiz -, guerras religiosas. Vai provocar novamente a luta pela coisa mais ilógica do mundo que é: “O meu Deus é mais forte que o seu”. Esta luta não tem como acabar, porque se você conseguir impor o seu Deus, você já acabou com tudo. Isso me preocupa muito.

CAIO FÁBIO – Todo fundamentalista é pagão, porque é confinador daquilo que é inconfinável, que é Deus. O fundamentalismo pratica a mais estúpida tentativa que o ser humano pode fazer sobre o Criador, que é tentar domesticar Deus. Ou então querer dizer até onde Deus vai, o que Deus pode e o que não pode fazer, ou a quem deve ouvir. O fundamentalismo entende que Deus está a serviço da religião, e isso é paganismo cego, inverte a ordem universal, na qual todas as coisas existem para Deus e em Deus. E Deus é aquele que tem a absoluta liberdade de ser, sem jamais explicar porque Ele resolveu ser o que Ele é. Esses grupos todos que falam de maneira obcecada e fanatizada sobre fé, em geral, são os mais inseguros e os mais resistentes, porque não têm capacidade de aceitar qualquer encontro com qualquer coisa que eles acreditam, sob pena de que isso sacuda e enfraqueça os fundamentos, sobre os quais não admitem que se façam perguntas.

PAULO COELHO – Muito bem explicado.

CAIO FÁBIO – A maior luta de Jesus foi contra os fundamentalistas. Foi o fundamentalismo que matou Jesus. O fundamentalismo que não aceita que o milagre seja feito no dia de sábado, que diz que Jesus não pode tocar nas coisas que ele toca, comer a comida que come, conviver com as pessoas com quem convive.

·       DEMÔNIOS

CAIO FÁBIO – Eu acredito. Não como uma encarnação do mal. Acho essa visão muito simplista. Não existe, nesse universo, nada que não seja criatura. O único que é, é o Criador. Todas
as outras formas de existência são derivações Dele, são criações Dele. Só que algumas dessas criações existem e não sabem. Existem para outrem, não para si mesmas. Possivelmente, (o planeta) Júpiter não diz: “Eu sou Júpiter!” (risos). Mas existem outras criaturas com consciência de si. Em graus menores ou maiores, esses seres – que se conhecem e dizem “eu sou”, que sabem que existem, que se percebem – carregam dentro de si a virtude absolutamente radical que é a de decidir que seres eles querem continuar a ser. Eles fazem opção, como eu faço todos os dias. Todos os seres inteligentes que se auto percebem no universo têm poder de decidir. Eles não são máquinas solares, não são seres programados para um tipo de função, para fora das quais eles não tenham chances. Quando a Bíblia fala de demônios, ela está falando de seres que se conhecem e que, em algum momento na história do universo, iniciaram um processo de exercício de vontade além dessa contemplação apaixonada pelo Criador. Ou seja, demônios são narcisos incuráveis, que, ao invés de se saciarem com a beleza do criador, olharam para si e disseram “eu sou”. E aí, o centro do universo mudou e eles passaram a ser o centro, nesta busca de centralizar todas as coisas em si. Inicia-se um processo de tentativa de sedução da criação para fora dessa paixão, desse amor pelo Criador. Então, essa é uma maneira psicológica de descrever o surgimento do fenômeno demoníaco no universo.

PAULO COELHO – Vejo o demônio como braço esquerdo de Deus. E vejo que, na nossa limitada capacidade, criamos demônios artificiais que podem até se materializar e interferir, na medida em que você esteja nas trevas, na medida em que você acredite no poder desses demônios. Então, eu crio o demônio x e começo a mentalizar aquele demônio em outra pessoa. Se a pessoa acreditar no demônio que criei, então ela está perdida. Na medida em que você não se deixa possuir pela fé naquele demônio que foi criado, ele deixa de existir. Os demônios têm muitos nomes: inveja, avareza... Se você acredita nestes demônios, dançou.

CAIO FÁBIO – Paulo, acho que a gente está falando de duas coisas. A primeira é: existem demônios objetivos, reais, seres, entidades antagônicas ao amor de Deus nesse universo?

PAULO COELHO – Existem.

CAIO FÁBIO – Sim, mas esses seres não foram criados por Deus demoniacamente. Eles se tornaram seres demoníacos. Então, nesse sentido, eu não acredito que os demônios sejam o braço esquerdo de Deus, cumprindo uma missão. O que quero dizer é o seguinte: tenho a liberdade, pela minha existência individual, de exercer funções antagônicas ao amor de Deus no Universo. Eu posso ser um irradiador de ódio, de amargura, de morte, de tudo aquilo que desagrega. Foi por isso que falei que são duas coisas diferentes. A primeira é o demônio como um ente no universo, e é isso que eu estou gastando esse tempo todo para falar. Esse exercício deu na liberdade individual contra o amor de Deus. Esse é o demônio, e existem também os demônios que são projeções de nossos medos, temores, perversidades, maldades que tanto vão de mim para o outro como vêm do outro para mim. Esse demônio é só troca. Agora, esse outro que é entidade, independentemente de eu acreditar que ele existe ou não, ele existe.

PAULO COELHO – Mas essa força é igual a Deus?

CAIO FÁBIO – Claro que não, ela é criatura.

PAULO COELHO – Se ela é criatura, então ela teve um criador.

CAIO FÁBIO – E o criador é Deus. Ele criou seres como eu e como você, que têm consciência da própria existência. Agora, justamente porque eu sei o que eu sou, posso sair daqui, chegar ali fora e abraçar alguém ou esmurrar alguém. Eu posso existir a favor do amor de Deus ou contra o amor de Deus, e aí eu posso me demonizar. Quando a Bíblia fala de demônios, está falando de entidades espirituais que exercitaram a sua vontade contra o amor de Deus.

·       LUTAR CONTRA DEUS

CAIO FÁBIO – Na Bíblia, os homens a quem Deus levou mais a sério foram os que lutaram contra Deus.

PAULO COELHO – Jacó, por exemplo.

CAIO FÁBIO – É, Jacó, que sai no pau com o anjo a noite inteira (risos). E no fim, Deus diz: “Olha, Jacó, você agora vai se chamar Israel, que significa aquele que contendeu com Deus”. E Deus diz isso numa boa. Você pega Moisés, por exemplo, que chega para Deus e diz o seguinte: “Olha, ou o Senhor continua sendo Deus deste povo aqui e anda com este povo, ou então me risca do teu livro, então não vou mais andar contigo também”. E Deus chega e acolhe este indivíduo, porque, estranhamente, Deus não gosta de uma relação com Ele que não tenha coragem de lhe fazer perguntas.

PAULO COELHO – Posso fazer uma observação?

CAIO FÁBIO – Pode.

PAULO COELHO – Essa idéia me anima muito, porque, como católico, eu acredito no mistério da Trindade, e Deus luta com Deus na medida em que Cristo, em dois momentos que estou me lembrando agora, o rejeita. Um, foi quando disse: “Pai, afasta de mim este cálice”. Ele não vai aceitando, entendeu? E outro foi pouco antes de morrer, quando Jesus diz: “Meu Deus, por que você me desamparou?”. Entendeu? Ele, sendo Deus, luta consigo mesmo, e nós podemos ser a favor de Deus ou contra Deus. O que nós não podemos ser é sem Deus. Essa relação passional que nós temos com Deus é fundamental, porque nos culpamos muito de tomar, às vezes, a atitude que Jacó toma quando ele luta com Deus. Ele peita e passa a noite inteira, e na hora que essa pessoa quer partir, ele diz: “Não, não vá embora, você só vai embora se me abençoar”. E aí ele é abençoado.

CAIO FÁBIO – E Deus muda o nome de Jacó para Israel como prêmio. Israel é um nome que etimologicamente significa “aquele que lutou com Deus”.

PAULO COELHO – Exatamente.

CAIO FÁBIO – Quer dizer, o prêmio histórico dele é ter sido aquele que lutou com Deus e venceu.

PAULO COELHO – E nós nos recusamos a aceitar que podemos, muitas vezes, lutar com Deus, isto é, combater o bom combate. Aí vem a culpa, você se acha longe de Deus, e diz: “Ah, eu não sou digno e acabou”. Um cara que não lutou com Deus foi Jó. Jô é um cara que vai aceitando tudo. Ele é o profundo cumpridor de seus deveres, está ali, fiel, prestando todos os seus sacrifícios, profundamente agradecido, e é esse a quem Deus pune.

·       JUSTIÇA DIVINA

CAIO FÁBIO – Tem uma coisa interessante, pensando em Jó. Enquanto ele é obediente, disciplinado, certinho, absolutamente grato, bem sucedido, próspero, ele conhece a Deus só de ouvir. Depois ele perde tudo o que tem e ganha um câncer de pele, passa pela agonia, experimenta a contradição teológica trazida pelos amigos dele, que querem encontrar na sua dor alguma coisa que seja explicada pelo pecado. Mas ele diz: “O fato de passar pelo que estou passando não tem nada a ver com pecado”. E aí ele abre o coração e inicia um processo de confrontos e de lutas enormes com Deus para, no fim do livro, chegar e dizer a súmula de todas as coisas. Ele diz a Deus: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem”. Ou seja, antes, quando estava naquela prosperidade abençoada, ele era apenas alguém que sabia de Deus. Agora, depois de um despojamento profundo, radical e de lutas com Deus, noites escuras, perguntas e argüições...

PAULO COELHO – E injusto, aparentemente. Porque, afinal de contas, ele – e quantas vezes nós – vamos tirar de Jô e trazer para a gente -, quantas vezes sentimos Deus injusto? Entenda, a gente está fazendo o trabalho dele, está dando o melhor da gente, procurando cumprir aquilo que nós acreditamos ou entendemos como fé, e de repente vem um problema que não estamos esperando. Então a gente sente o roçar do que a gente acha que é injusto, mas, na verdade, e o Caio falou bem, é o momento em que Deus está cutucando para você entender a interferência dele na sua vida.
CAIO FÁBIO – Até porque, de alguma forma, Deus não tem nenhum compromisso com a realização de qualquer tipo de justiça cartesiana em relação a nós. O desejo e o compromisso Dele é de fazer a gente crescer, se tornar gente e perceber o mistério de Deus, a grandeza dessa revelação de Deus e de nos fazer dar um salto para além dessa relação com Deus que é meramente informada que é daquele que sabe sobre Deus, acerca de Deus ou de Deus. Ou seja, ele nos põe para além da teologia, que é o estudo de Deus, uma coisa muito primitiva. Jó diz: “Antigamente, eu te conhecia só de ouvir, agora eu transcendi a isso, os meus olhos estão vendo o invisível”.

·       PAULO COELHO FALA DE CAIO FÁBIO

PAULO COELHO – O que eu conheço do Caio são as obras. Para citar a Bíblia, ela diz que pelas obras, não importa se você tem fé ou não, Jesus faz a famosa definição das pessoas. É pelos frutos que se conhece a árvore. Essa definição está presente em várias outras culturas, em várias outras religiões também. A pessoa pública que Caio é e o trabalho que ele realiza são muito claros para mim. Não é o cara que só fica teorizando a respeito de Deus. Ele sabe que Deus se manifesta visivelmente.

·       CAIO FÁBIO FALA DE PAULO COELHO

CAIO FÁBIO – Eu o acompanho há muitos anos e via algumas pontuações na sua vida bem marcantes. Quando eu comecei a perceber Paulo Coelho no horizonte do Brasil, há muito tempo, percebi uma pessoa com uma sede enorme de Deus, querendo essa Água da Vida. Fui vendo que sua obra, por exemplo, é uma jornada espiritual. A gente começa com um Paulo Coelho que assumia uma imagem pública. Para mim, que estava de longe olhando, você era um bruxo no início. Aí esse bruxo vira mago. Aí esse mago vira escritor e depois vira um católico que escreve (risos). Eu estou vendo essa jornada e, para mim, o ponto de virada foi no dia em que o vi dando uma entrevista – não me lembro se para a Marília Gabriela, foi num Cara a Cara desses -, quando você disse o seguinte: “Eu encontrei as trevas, e você não pode imaginar o que é isso. Ninguém deve brincar com isso”. Houve uma profunda virada, que eu senti na sua maneira de ver quando você fez essa declaração e a sua caminhada vira numa outra direção daí em diante. Há muitos anos eu oro regularmente por você.

PAULO COELHO – Muito obrigado, não pare de rezar (risos).

CAIO FÁBIO – Oro sempre pedindo a Deus que o fluxo da graça dele sobre a sua vida permaneça sempre, que Ele tome você pela mão todos os dias. Não sei se você se recorda, mas eu acho que há uns três anos sua assessoria e a minha secretária várias vezes tentaram marcar um encontro entre nós. Por que aquilo? Fui eu que tomei aquela iniciativa, porque eu vinha de longe olhando isso. O encontro não houve porque você viaja muito e eu também.

PAULO COELHO – Eu me lembro disso, sim.

CAIO FÁBIO – A gente se encontrou na ponte aérea e conversamos rapidamente. Há quanto tempo que eu venho desejoso de que essa aproximação aconteça e estou feliz depois disso.

......................
Transcrito por Fábio Menen

Línguas de DEUS ou do diabo?

- Pastor Carlos, boa noite.
- Oi mana!
- Como saber se um língua estranha é de Deus ou do diabo? Lá na igreja, uma mulher ora em línguas e todos ficam assustados, pois ninguém nunca ouviu aquele tipo de língua.
- Sei... Não tem “decantas”, nem “súbias”, nem “balabasúrias”?
- Como?
- Mana, se ela diz coisas que ninguém entende é porque a língua é “estranha”!! Entendeu??
- Mas ninguém sabe interpretar a língua que ela fala!
- É que a moçada já se viciou nas línguas faladas pelos "linguistas" de plantão...
- Achamos que não é de Deus... Não tem mesmo como interpretar?
- Não sei... Talvez, usando o tradutor do Google consiga...
- Pastor, isso é coisa séria!
- Mana, deixa a mulher falar o que ela quiser. Ela vai fazer menos mal falando o que vocês não entendem do que se cismar de falar o que ela mesma não entende... CM

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

E no carnaval,eu posso me fantasiar?

SAI CAPETA!!

- Pastor, boa noite.
- Oi mana!
- Essa agora eu quero ver... O que o sr. acha de um crente sair fantasiado de DIABO no carnaval?
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Acho interessante!! É aquele diabo com chifre, tridente, rabo em forma de seta e roupa vermelha?
- Esse mesmo, um que a bíblia chama de SATANÁS!!!!
- Vai ser uma zueira... kkkk. Se ele for esperto, manda um amigo sair de pastor pentecostal – paletó preto, gravata e cabelo engomado... Aí fica um tirando onda com o outro...
- Eu não acredito que estou ouvindo isso!!
- Eu também não!! Kkkkkkkkkkkkkkk
- O sr. concorda com isso?
- Mana, não sou eu que vou sair de diabo, é esse mano que você citou...
- E o sr. não acha nada demais?
- Não. Esse diabo que os crentes criaram, essa caricatura que citei, com rabo, chifre e tridente, é uma projeção do diabo medieval de Dante Alighieri, nada tem a ver com o ser ardiloso, inteligente e sofisticado revelado nas Escrituras. Esse “diabo de igreja”, que produz endemoninhados rosnando e rodopiando, não põe medo nem em criança de dois anos de idade.
- E como é esse seu DIABO???
- Ah... Jesus falou dele como “inimigo das nossas almas”, ou seja, ele age nas subjetividades, estimulando vaidades estilosas, ciúmes doentios, maldades calculadas, mentiras disfarçadas de bondade, desfaçatez ingênua, cobiças perniciosas. Paulo, por sua vez, nos diz que ele se disfarça de “anjo de luz”, travestido de boas obras, promovendo no coração das pessoas aquela piedade perversa, um tipo de ascetismo judaizante, ou uma espiritualidade meritória, ou ainda as barganhas tradicionais com o sagrado. Sim, o diabo se esconde onde crente nem imagina, pois o diabo dos crentes está no barzinho, na boate e no carnaval. O diabo mesmo está sentado no banco da igreja e não raras vezes ajuda o pastor com a “inspiração” para o sermão do domingo...
- Eu fico imaginando o que há na cabeça de um servo de Jesus para sair de diabo no carnaval!
- Eu sei... Ele está fazendo uma crítica bem humorada a safadeza que aí está, uma crítica sofisticada, admito, mas que não poderá ser percebida pela esmagadora maioria das pessoas. Ele tenta fazer o que Nietzsche fez, no século XIX, dizendo que Deus estava morto, pois o cristianismo que ele via praticado pelo clero da igreja protestante e pelos que se diziam cristãos só podia levar a essa conclusão.
- Quem é Nietzsche?
- Um filósofo.
- E o sr. lê essas coisas?
- Claro, eu sou filósofo por formação, mas eu sei que você vai dizer que isso é coisa do diabo! kkkkkkkk
- O mundo está mesmo perdido...
- Olha, mana, se fantasiar de diabo no carnaval é a menor de todas as questões... O problema é se vestir de diabo na igreja, todo domingo, oprimindo a mentezinha de gente sofrida, enganando com sofismas evangelicais os fracos de consciência, proibindo a bebida e bebendo a alma dos angustiados, cerceado o fumo e tragando o desespero dos famintos de esperança, proibindo o sexo e se amancebando com o dinheiro e a cobiça. Sim, tem mais diabo dentro da igreja que no carnaval, pois no carnaval ninguém está enganado de sua condição, quem está perdido sabe de si mesmo, mas na igreja o diabo ajuda a manter mentes entorpecidas, gente anestesiada de coração, que se esconde atrás de regrinhas bobas e de uma agenda pirotécnica, são seres de performance, mas sem conteúdo de vida, nada sabem do amor, da justiça ou da misericórdia.
- O sr. deixaria um crente de sua igreja sair de diabo?
- Não faço blitz na comunidade, não sei quem vai brincar ou não, todo mundo é maduro para fazer suas escolhas, eu não trato a alma das pessoas como latifúndio da religião, nem exerço sobre elas um magnetismo hipnótico em nome de Deus, quem vai lá é livre para entrar, sair e voltar, essa é a única regra, que todo homem seja livre para viver conforme a sua consciência em Jesus e no Evangelho.
- Pois eu nunca irei em sua igreja!
- Eu sei, mana, você prefere ir aonde o diabo fala com voz impostada, paletó engomado, bíblia na mão e cheiro de enxofre... CM

Falta de ereção no corpo e a religiosidade na alma,dois problemas solúveis.

- Pastor Carlos, desculpe a pergunta, mas meu pênis “amorteceu”. Com 68 anos, estou com problema erétil, mas ainda com “fogo” pela minha véia, com 56 anos. Fui conversar com meu pastor sobre o problema, pois o médico recomendou uma prótese, mas ele disse que Deus fez o meu corpo, que se o corpo perdeu sua função, é porque eu devo me contentar e buscar a santidade e a vida casta. O que devo fazer? Confesso que não desejo seguir essa orientação, mas sou de igreja de linha dura, tenho medo de estar pecando contra Deus...
- Meu mano, paz e virilidade!! Caramba! Esses caras agora deram para legislar até sobre o pinto alheio?? Meu mano, faça o que julgar melhor, se tem “madeira” para queimar na sua “caldeira” faça a prótese e deixe sua esposa feliz, faça amor sem pudor, seja livre pois o sexo é uma benção de Deus!
- E se ele perguntar se fiz ou não, digo o quê?
- O pastor é casado?
- Sim.
- Quantos anos tem a esposa dele?
- Uns 40 anos.
- Você diz o seguinte: “Pastor, se sua esposa entrasse na menopausa antes da hora, como acontece com muitas mulheres, e perdesse totalmente o apetite pelo sexo, você também sentiria direção de Deus de se tornar casto até Jesus voltar?”. Lhe garanto que, com essa pergunta, essa “santidade” dele vai passar...
- Obrigado por sua atenção, pastor. Sei que esse é um tema meio ridículo para um homem velho, e nunca imaginei que você responderia...
- Meu mano, tenho por você a reverência de um pai, e tenho respeito por seus cabelos brancos. Sei que você foi criado num sistema manipulador, portanto, viva tranquilo sua vida e olhe apenas para Jesus. E quem quiser olhar para o pinto dos outros que durma com um barulho desse... CM